A maturidade espiritual depende da capacidade de renúncia

Texto: Marcos 8: 34-38 e Romanos 6:6

Introdução

A Igreja foi instituída por Jesus, que fez uma promessa: “E as portas do inferno não prevalecerão contra minha Igreja”. Como é bom pertencer a Igreja de Jesus Cristo, que não é uma Igreja fundada por homens, pois Jesus é o cabeça, isto é, os ensinos são ditados por Jesus, através dos evangelhos e depois das cartas apostólicas que é a interpretação do evangelho. Há muitas Igrejas que são fundadas por homens e suas doutrinas ou ensinos são ditados por homens. Graças a Deus que nossas mentes não são monopolizadas por ensinos heréticos, e podemos abrir nossas Bíblias para daí extrair nosso alimento espiritual. Seja Deus louvado e engrandecido pela sua Igreja na face da terra. Estava preocupado a respeito do assunto que deveria falar nessa hora, então veio- me à mente uma pergunta: O que Deus mais deseja de sua Igreja? O que Jesus mais deseja dos crentes? E cheguei a conclusão que é exatamente aquilo que os pais mais desejam de seus filhos! Mas o que ou qual é o desejo dos pais para seus filhos? Que seus filhos cresçam e cheguem à maturidade. Deus deseja a maturidade espiritual de seus filhos, aqueles que foram redimidos pelo sangue de Jesus. E isso afeta a vida de cada um de nós. Se este é o desejo de Deus, então precisamos ter uma compreensão maior do que isso significa. O tempo passa e tenho percebido que não são muitos os que chegam a maturidade espiritual. A maturidade não depende do tempo de vida cristã, pois conheço crentes bem novos que são mais maduros do que outros que estão nas Igrejas a décadas. Há crentes imaturos e também líderes imaturos. A natureza nos dá uma grande lição “O fruto que não amadurece, apodrece”. Há muitos cristãos em situação deplorável, pois nunca cresceram, não estão buscando a maturidade. Se a maturidade é tão importante para nós, e desejamos que isso aconteça com nossos filhos; se a maturidade dos discípulos era uma preocupação de Jesus; se a maturidade também era ênfase no ensino dos apóstolos; precisamos, então, saber como chegar a maturidade espiritual. Há pessoas que lêem a Bíblia e oram, mas não chegam a maturidade, por que? Porque não colocam em prática o que estão lendo e ouvindo. A maior dificuldade para a prática da palavra de Deus é a renúncia; e muitas pessoas não têm capacidade para renunciar determinadas coisas em suas vidas. Por isso queremos falar sobre este tema. A maturidade espiritual de uma pessoa depende da capacidade que ela tem de renúncia. Isso implica na renúncia do EU e na renúncia da própria VIDA.

I- O QUE QUER DIZER RENÚNCIA DO EU

Sobre o assunto, Jesus deu muita ênfase: “Se alguém quiser me seguir renuncie-se a si mesmo”. RENUNCIA é a primeira condição para quem quiser segui-lo. Como não é possível viver sem água, sem alimento, sem o ar; a vida cristã torna-se impraticável sem a renúncia. Renunciar nosso EGO é difícil, pois vivemos quase que totalmente em função dele. Renunciar o EGO é a maior dificuldade que as pessoas encontram para seguir a Jesus. Para que haja crescimento espiritual precisamos renunciar nosso EU; isso significa evitar que nosso EGO domine, recusar satisfazer nossos próprios desejos carnais; deixar de concordar com as inclinações naturais, para fazer a vontade de Deus, para fazer aquilo que é de acordo com a fé que abraçamos. Significa não viver mais para nós mesmos, mas viver para Deus. Quando não há disposição para renuncia de coisas que são prejudiciais à nossa vida, não há crescimento espiritual. Quando não há disposição para renunciar nosso EU, o Espírito Santo não tem lugar para nos moldar e agir através de nós. Jesus nos aponta este principio de renunciar, quando diz: “Não resistais ao mal; mas se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda”. Quem não é capaz de suportar isto, não sabe o que é maturidade cristã; ainda não chegou ao ponto que Deus deseja. Qualquer atitude de vingança para com o próximo deve ser evitada por aquele que se diz seguidor de Jesus Cristo. Nossa vida é uma caminhada à maturidade, “até que cheguemos à medida da estatura completa de Cristo”. Quando uma Igreja conhece este principio, é madura, e nela não há desentendimentos, intrigas, dissensões; pois estas coisas acontecem quando nosso EU orgulhoso é ferido, mas quando há renúncia do EU, as coisas são diferentes. Não devemos perder tempo com coisas pequenas, quando a obra a realizar é tão grande e Deus conta conosco. Enquanto nos detemos em coisas pequenas, almas preciosas, pelas quais Jesus morreu, estão indo para o inferno. Renunciemos nosso EU, nosso velho homem, o homem do pecado, incrédulo, obstinado, invejoso e orgulhoso. Sim, renunciemos este homem que escraviza nosso espírito. É necessário crucifica-lo, como disse o apóstolo Paulo: “Sabendo isto, que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado; antes subjugo o meu corpo e o reduzo a servidão, para que pregando aos outros eu mesmo não venha de alguma maneira ficar reprovado” Romanos 6:6. E em relação ao próximo é renunciar nossa vontade em favor de outrem; é suportar com paciência aqueles que se fazem nossos inimigos; é sacrificar nossa razão e o nosso direito pela razão e pelo direito do próximo; é orar em favor daqueles que nos perseguem; é humilhar-se diante daquele que se exalta. Mas como isso é difícil Senhor! Não é a função que ocupamos que nos faz maduros, pois como lideres precisamos aprender a renunciar. Enquanto não aprendemos a renúncia, sofremos; a pessoa que não renuncia seu EGO vive magoada, cheia de ressentimentos, ódio, etc. Isso mata uma pessoa, a destrói porque seu EGO sempre está ferido. Precisa chegar onde Paulo chegou: “Já estou crucificado com Cristo; logo já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” Gálatas 2:19b e 20.

II- O QUE SIGNIFICA A RENÚNCIA DA PRÓPRIA VIDA

Se a renúncia do EU refere-se as coisas do coração, de dentro. A renúncia da vida refere-se às coisas externas que envolvem a vida. “Aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á, mas aquele que renunciar sua vida por amor a mim e do evangelho, acha-la-á”. Se desejamos agradar a Deus precisamos renunciar a vida mundana, precisamos renunciar certas companhias, precisamos renunciar certos ambientes, certos programas, etc. A maturidade é alcançada com a renúncia de tudo que nos atrapalha, e que se constitui pecado aos olhos de Deus. Aqui está um grande problema, pois a renuncia está saindo do conceito de muitas Igrejas, está se tornando uma palavra fora de moda. Mas não podemos esquecer que é um ensino de Jesus, escrito nos evangelhos. Muitas Igrejas não estão preocupadas com a qualidade de seus membros; mas precisamos trabalhar com todas as pessoas, ensinando também a necessidade de renúncia da própria vida. Quando não há renuncia, o enfraquecimento da Igreja é uma conseqüência certa. Nossa maturidade está ligada à capacidade que temos de renúncia. Muitos querem ser crentes, desde que não lhe sejam proibidos seus pecados favoritos. Esta é a razão porque o evangelho tem perdido tanto sua força, e, é rejeitado por muitos. Uma Igreja comprometida com o mundo não tem aquele calor espiritual que precisa ter; não se preocupa com os perdidos como deveria; não há aquele amor fraterno entre os irmãos. Quando não temos capacidade de renuncia, pensamos só em nós mesmos, em satisfazer nosso desejo. Paulo nos exorta: “renunciando a impiedade, vivamos neste século presente, justa, sóbria e piamente.” Precisamos viver diferentes do mundo ímpio! Cristo espera que nos apresentemos pacientes, cuidadosos, para que o mundo não tenha motivo de se escandalizar.

Conclusão

Renuncia é o reconhecimento da superioridade da vontade de Deus. “Nem todo o que me diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está no céu.” Mateus 7:21. Muitos, embora conheçam a salvação, relutam em transferir à Deus o total controle de suas vidas. Enquanto não aprendemos a renunciar, também não podemos experimentar o que é viver realmente a vida cristã. Mas lembremo-nos que nossa maturidade espiritual é desejo de Deus. Mas a maturidade espiritual de uma pessoa depende da capacidade que ela tem de renúncia, do seu Ego e da sua vida. Só assim chegaremos a maturidade espiritual, tão esperada pelo Senhor.

 

Pr. Cirino Refosco
cirinorefosco@pibja.org

One Response to “A maturidade espiritual depende da capacidade de renúncia”

  1. Caro Pastor! Esta foi a melhor explicação ou interpretação que já li sobre renúncia. Conheço inúmeras pessoas que se dizem crentes ou evangélicas, mas todas elas carregando Jesus apenas na boca e não no coração. É muito difícil renunciar ao EU. Sem muita determinação, muita disciplina, e sobretudo, muita fé, fica difícil passar pela porta estreita.

    Um Abraço

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