Nosso Deus restaurador

Texto: Salmo 126:4

Uma das qualidades mais impressionantes do ser humano é a capacidade de restaurar. O homem é capaz de restaurar grandes e pequenas coisas, desde pequenos detalhes em uma obra antiga até uma enorme estrutura como a ponte dos Remédios, em São Paulo, porque quase ruiu e foi condenada em 1997. Vários técnicos chegaram a dizer que era assunto irremediável, porém, com estudos e muita tecnologia, podemos passar sobre a grande ponte dos Remédios até hoje sem notar que esteve condenada. Aqui em João Pessoa, em frente a praça da Independência, existiam duas casas velhas e condenadas, estavam aos pedaços, mas iniciaram a restauração e uma delas está pronta, é hoje um museu, ficou linda; a outra ainda continua condenada. Da mesma forma vemos os prédios da João Pessoa antiga, alguns fora restaurados e estão lindos, os restauradores conseguiram manter a arquitetura antiga e isso os caracteriza como construções de uma determinada época. Nosso prédio apresentou alguns problemas na estrutura e uma equipe foi contratada para fazer a restauração.

No entanto, ao mesmo tempo em que o homem tem essa capacidade impressionante de restaurar, ele guarda dentre de si o potencial de destruir, desde as coisas mais simples até as mais complexas, desde os pequenos objetos até relacionamentos. Quantos exemplos temos em nosso meio de relacionamentos quebrados, que começaram cheios de boas intenções, desejo de acertar e até mesmo com oração, e terminaram em verdadeiras tragédias pessoais. Quantas vezes não observamos no meio de nossas Igrejas relacionamentos quebrados que parecem ser insuperáveis.

Pois para essas coisas que parecem ao homem ser algo insuperável, é que esse salmo nos apresenta o Deus restaurador, o Deus das escrituras. Nesse texto tão antigo podemos enxergar claramente a ação restauradora de Deus.

Em 586 a. C. o povo de Judá havia sido levado cativo para a Babilônia. Na verdade, a deportação se deu em 3 fases distintas; e em cada uma delas o nível de destruição foi maior, até a fase final, quando Jerusalém, os muros da cidade e o Templo foram destruídos. A situação que aquele povo viveu foi trágica: destruição e separação de famílias, perda das propriedades, perda de valores. Podemos pensar um pouco na situação das vitimas do Tsuname; ou na situação do povo Iraquiano, vitima da guerra. O que tem acontecido com essas pessoas? O que vemos? Tristeza, morte e destruição por todos os lados. Tudo o que era do bom e do melhor foi levado ou destruído. Com relação a Judá, o que não pode ser levado foi queimado. No livro do profeta Daniel encontramos um pouco do relato dessa tragédia. Daniel com seus amigos foram levados como cativos. Os utensílios sagrados do Templo levados e usados em uma orgia promovida por Belsazar, filho e sucessor de Nabucodonozor. Quase 70 anos depois o povo ainda era cativo, triste e sem nenhuma perspectiva humana. O salmo 137 nos revela a tristeza desse povo: “Sentados junto aos rios de Babilônia chorávamos, lembrando de Jerusalém. Pendurávamos os nossos instrumentos musicais, as harpas e as liras, nos galhos dos salgueiros. E para aumentar a nossa dor, os Babilônicos pediam para cantarmos as canções alegres que faziam parte de nosso culto em Jerusalém. Mas como! Como cantar os hinos dedicados ao Senhor nessa terra estranha, onde os homens nas maltratam e castigam? V. 1-4.

A situação realmente era difícil; quem poderia mudá-la? Quem teria o poder e o interesse de mudá-la?

I- IAVÉ RESTAURA.

“Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha”v.1.  Algumas lições importantes queremos destacar aqui:

1-      O texto começa com uma referencia histórica, um momento na história do povo quando Deus agiu e mudou o rumo natural das coisas. Não havia qualquer esperança de voltar, pois o povo estava fora de sua terra por quase 70 anos e se encontrava sem liderança e arraigado em terra estranha. Deus, porém, mudou esse curso, essa rota, esse destino, essa sorte como diz o texto. E isso aconteceu no tempo e no espaço a pessoas como eu e você. Um dia a sorte de Sião foi mudada.

2-      Aprendemos a respeito de quem mudou a sorte. Não há qualquer duvida na mente do salmista de que o que havia acontecido foi uma ação de Deus. Naquele momento não havia lugar para o acaso ou “sorte” como é definida popularmente. Foi Deus quem fez e não há lugar para qualquer duvida.

3-      Aprendemos que o que Deus fez na história foi um ato restaurador. Ele restaurou Sião. Ele trouxe de volta o povo para viver  na sua terra, com seus valores e com seu Deus. Depois de 70 anos de sofrimento e exílio, Deus volta os olhos para o seu povo e o restaura, cumpre suas promessas, assim como havia cumprido seu decreto diante da desobediência. O povo foi levado em cativeiro como uma disciplina do seu Pai amoroso, que vendo a rebeldia de seu filho, não podia deixar de discipliná-lo. Heb. 12:5-11. Agora o filho estava de volta nos braços do Pai. Deus trocou o tormento pelo sonho, o choro pelo riso, e o lamento pelo jubilo. A adoração de Israel estava confirmada. “Até entre as nações se dizia: Grandes coisas fez o Senhor por eles” v.2.

Ninguém mais pode negar. IAVÉ é um grande Deus, o Deus restaurador: “Com efeito, grandes coisas fez o Senhor por nós; por isso, estamos alegres” v.3.

II- IAVÉ CONTINUA A RESTAURAR.

Um outro aspecto importante a ser observado no texto é a MUDANÇA no tempo verbal. Até o verso 2 trata de ações passadas e o estado de gratidão presente: “…por isso estamos alegres”. No entanto, o verso 3 começa com um pedido do salmista: “Restaura, Senhor,  a nossa sorte…”. Mesmo que a alegria da restauração passada fosse motivo de agradecimento, o fato é que no momento o povo precisava mais uma vez de restauração. Por isso o pedido.

O sonho, o riso e o jubilo ficaram como uma boa lembrança e motivo de gratidão, mas o povo de Deus precisava mais uma vez que Deus agisse no seu meio. Uma vez de volta a sua terra, as dificuldades do dia-a-dia mais uma vez se fizeram presentes. O trabalho árduo, acompanhado de investidas dos inimigos que não queriam a reconstrução do Templo e dos muros de Jerusalém, foi certamente uma carga pesada para o povo. O povo precisava de força, alento e coragem para continuar.

De forma poética o salmista compara a necessidade do povo com a sequidão do deserto e pede para que o Senhor venha suprir as suas necessidades como as torrentes do Neguebe. Neguebe é um deserto ao sul de Israel e ao sul de Jerusalém. Não é um deserto arenoso como o Saara, mas um deserto montanhoso que esconde muitos perigos e armadilhas. O índice  de povoação é baixo. Podem passar muitos meses e até anos sem uma gota de chuva. Essa sequidão é símbolo de dificuldade e morte. Ali, quem vive, vive com dificuldades e muita dependência do fenômeno conhecido como “torrentes do Neguebe”. Que são essas correntes? São verdadeiros rios que passam no meio do deserto, de uma forma inesperada e incontrolável. O fenômeno é causado pelas chuvas que caem nas montanhas, e que na medida que saturam a terra começam a descer e se juntar, trazendo verdadeiras correntes de águas no meio da sequidão. De forma inesperada e incontrolável as torrentes descem das montanhas trazendo vida em meio a morte e refrigério em meio a sequidão. Esse é o pedido do salmista, que IAVÉ, como havia agido no passado, mais uma vez agisse no meio de seu povo de forma a restaurar-lhe a alegria da vida. Essa oração do verso 3 é a verdadeira oração de avivamento. É o pedido humilde e sincero do servo de Deus para que Ele venha e traga a vida plena para o meio de seu povo que vive na sequidão do dia-a-dia.

III- COMO ESPERAR A RESTAURAÇÃO.

Os que com lágrimas semeiam com jubilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com jubilo, trazendo os seus feixes” v.5,6. Isso faz referencia a situação seminomade do deserto, que vive principalmente da agricultura e pecuária. Pouco se pode tirar do deserto. Idêntica é a situação dos sertões do nordeste do Brasil. As pessoas ficam a mercê das chuvas ou não, a vida se torna extremamente penosa. A pessoa planta e se chover nasce, se não chover morre e precisa plantar de novo e ficar na expectativa da chuva. As vezes planta 4 ou 5 vezes no mesmo ano. Isso ensina esse agricultor a ser totalmente dependente da misericórdia de IAVÉ. Ele depende da Torrente para sobreviver. Plantar é algo duro e penoso. Algo que se faz com lágrimas! Jogar o cereal na terra é algo que traz lágrimas aos olhos. O trigo que podia ser o pão de amanhã é a semente que vai ao chão hoje. Daí a figura do texto: “Que sai andando e chorando, enquanto semeia…”. E a promessa dos que confiam em Deus “voltarão trazendo consigo seus feixes”.

É possível que sua vida esteja em ruínas; vida física, sentimental, espiritual, financeira, profissional, estudantil, etc. Se relacionamentos estão quebrados, se a sequidão chegou até você, não fique desesperado… Deus é restaurador. Quem sabe você tem estado as margem dos rios da Babilônia em lágrimas, sem esperança, não consegue cantar os louvores do Senhor, então, faça a oração do salmista: “Restaura, Senhor, a nossa sorte com as torrentes do Neguebe”.

Quanta secura espiritual temos visto em nossos dias? Quanta pobreza? Cheiro de morte? Tem misericórdia, Senhor, de teu povo.

O crente não pode nunca esquecer quem é o verdadeiro restaurador das coisas que o homem não pode restaurar. O Senhor é a sua esperança e força. Ele faz aquilo que não podemos fazer.

O crente não pode esquecer da soberania do Senhor em restaurar quando e como Ele quer. Por isso não podemos parar de orar humilde e esperançosamente a oração do avivamento: “Restaura, Senhor, a nossa sorte como as torrentes do Neguebe”.

O crente não pode nunca tentar produzir aquilo que só o Senhor é capaz de fazer. Precisamos continuar na obediência até que o Senhor mande a Torrente, mesmo diante das tentações que o mundo oferece para “facilitar” a vida de sequidão, o homem de Deus permanece firme, ainda que com lágrimas, na certeza de que Deus lhe enxugará dos olhos toda lágrima. Apc. 7:17 e 21:4.

Pr. Cirino Refosco

One Response to “Nosso Deus restaurador”

  1. Meu caro Pastor, cada mensagem que leio vinda por sua ministraçao, fico mais desejoso de lê outras!
    Existe como recebelas em meu e-mail diretamente?


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