O segredo da vitória

Texto: Juizes 7:1-11,15-22

Introdução

Usaremos um episódio da vida de Israel para fazer um paralelo entre a luta da Igreja contra as forças do mal ou da luta do crente contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais. Trata-se da luta de Israel contra os medianitas. O povo de Israel contava com 32.000 soldados de guerra e tinham que lutar contra os medianitas que possuíam um exército muitas vezes maior. Mas Deus sabia que nem todos os soldados de Israel estavam em condições para entrar numa guerra desse porte. E por isso mandou Gideão fazer dois testes: Primeiro: todo soldado que fosse tímido ou medroso, deveria voltar do campo de concentração para suas tendas. Voltaram 22.000 soldados. Segundo: Gideão precisava descer ao rio com o restante dos soldados e fazer outro teste; observando a maneira como os soldados bebiam água no rio. 9.700 soldados foram reprovados. Apenas 300 soldados estavam prontos para a guerra. O propósito desta vitória de Gideão com os 300 homens sobre os medianitas é nos inspirar para desenvolver em nós as qualidades e atitudes que permitirão que sejamos usados por Deus na grande guerra contra o pecado e contra satanás. Apresenta a qualidades dos soldados que Deus quer usar na conquista da pátria para Cristo. Na grande vitória de Gideão encontramos o segredo que nos dará a vitória em nosso esforço de viver uma vida abençoada. Vemos que não foi o número de soldados o segredo, mas a qualidade deles. Mas em que consiste o segredo para vitória?

I- O segredo da vitória consiste no caráter espiritual dos que lutam

Caráter é uma das questões mais sérias para pessoas que querem fazer parte do exército de Deus. E nesse texto vemos coisas que são indispensáveis para obtermos a vitória. 1- É necessário ser humilde. Deus conhecia muito bem o coração de todo o povo, sabia que, se eles tivessem ido à guerra com os 32.000 soldados iriam se gloriar da vitória. Iriam dizer que haviam derrotado o inimigo com suas próprias mãos. “Disse o Senhor a Gideão: O povo que está contigo é demais para que eu entregue os medianitas em suas mãos; não seja caso que Israel se glorie contra mim, dizendo: Foi a minha própria mão que me livrou” v.2. Deus queria mostrar que a batalha não seria ganha com muitos, mas com aqueles que estavam à serviço do Senhor. Sejamos humildes, reconhecendo nossa incapacidade; mas tendo a certeza de que a guerra não é nossa; é do Senhor. Coloque-mo-nos, pois, na condição de servos! Instrumentos nas mão de Deus. 2- É necessário ser valentes. Deus não precisa de multidões, Ele conta com pessoas valentes. O progresso da Igreja depende de pessoas valentes. Deus precisa de pessoas corajosas, pois nunca precisou de covardes em seu reino. Aliás, no céu não há lugar para covardes. “Mas quanto aos covardes, aos medrosos….a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte” Apoc. 21:8. Deu ordem a Gideão dizendo: “Agora, pois, apregoa aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for medroso e tímido, volte e retire-se do monte Gileade. E voltaram do povo 22.000 e 10.000 ficaram” v.3. Estamos vivendo tempos difíceis; enfrentando toda sorte de problemas: econômicos, sociais, políticos, espirituais, etc. E Deus precisa de homens e mulheres corajosos para enfrentar este mundo. Precisamos de homens e mulheres corajosos para pregar o evangelho em um mundo que é dominado pelas forças do mal. As pessoas estão dizendo que são felizes sem precisar de Deus em suas vidas; dizem que estão salvas sem precisar confessar Jesus como salvador e Senhor; dizem ter a vida eterna e o espírito santo sendo idólatras. Para pregar o evangelho nesse tempo precisamos de coragem. Para viver uma vida santa e pura, em meio a tanta promiscuidade e liberalismo é preciso ter coragem. Se você não tiver coragem, é melhor sair do campo de batalha, porque daqui para frente a guerra será pesada. 3-É necessário estar totalmente atento à tarefa. Quando Deus enviou Gideão ao rio com os 10.000 soldados; estes não eram medrosos. Foram os que haviam restado quando os covardes haviam retornado para casa. Ao beber água, 9.700 foram rejeitados porque não estavam totalmente atentos. “Gideão fez descer o povo às águas. Então o Senhor lhe disse: Qualquer que lamber as águas com língua, como faz o cão, a esse porás de um lado; e todo aquele que se ajoelhar para beber, porás do outro. E foi o número dos que lamberam a água, levando a mão à boca, 300 homens; mas todo o resto do povo se ajoelhou para beber. Disse ainda o Senhor a Gideão: Com estes trezentos homens que lamberam a água vos livrarei, e entregarei os medianitas na tua mão; mas, quanto ao resto do povo, volte cada um ao seu lugar” v. 5-7. O que tem de errado em ajoelhar-se e colocar a boca na água para beber? Para muitas pessoas isso nada representa, mas para os que estão em guerra isso demonstra falta de atenção com o que se está fazendo. Enquanto um exército de ajoelha e coloca o rosto na água pode ser atacado de surpresa pelo inimigo e ficará sem condições de defesa. Muitos fazem parte do exército de crentes, mas poucos são os que estão atentos à responsabilidade como cristãos. Poucos estão vigilantes a todo tempo; poucos são os que não dobram os joelhos diante do inimigo. “Vigiai, pois e orai para que não entreis em tentação”. Um vacilo é demonstração de falta de atenção para com nossa tarefa como soldados de Jesus.

II- O segredo da vitória consiste ainda nas armas que se usa na luta

Naturalmente que as armas são importantes para uma guerra bem sucedida. Quais foram as armas usadas por Gideão e os 300 soldados. O povo usou trombetas e tochas. Nunca, na história do mundo se ouviu dizer que um exército saísse à guerra com trombetas e tochas acesas dentro de um cântaro vazio. É incrível a maneira que Deus usa para derrotar o inimigo. Os medianitas, os amalequitas e todos os filhos do oriente jaziam no vale como gafanhotos em multidão; e os seus camelos eram inumeráveis, como a areia na praia do mar. v. 12. Todos estavam armados para a guerra. E Deus manda o seu povo levar trombetas e tochas acesas dentro de cântaros vazios. “Então dividiu os 300 homens em três companhias, pôs nas mãos de cada um deles trombetas, e cântaros vazios contendo tochas acesas” v.16. 1- As trombetas representam nosso testemunho verbal. No caso dos 300, vemos o zunido das trombetas. Gideão disse ao povo: “Olhai para mim e fazei como eu fizer; e eis que chegando eu à extremidade do arraial, como eu fizer, assim fareis vós. Quando eu tocar a trombeta, eu e todos que comigo estiverem, tocai também vós as trombetas ao redor de todo arraial e dizei: Pelo Senhor e por Gideão” v.17, 18. Com o zunido das trombetas o povo do exército inimigo deitou a correr e gritando fugiu. E o Senhor tornou a espada de um contra o outro. v.21,22. Nosso testemunho verbal positivo conquista qualquer pessoa e até cidades inteiras. Na Igreja primitiva a evangelização não era uma coisa de final de semana ou um espetáculo de duas semanas por ano; era algo que fazia parte da vida dos crentes. “E todos os dias no templo e nas casas não cessavam de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo” Atos 5:42. Evangelização era seu negocio diário. Nossa luta com o inimigo de nossas almas não é coisa de fins de semana; mas de todos os dias e o dia todo. “Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentro os mortos, serás salvo; pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” Romanos 10:9,10. “Nisso, disseram-lhe alguns dos fariseus dentre a multidão: Mestre, repreende os teus discípulos. Ao que Ele respondeu: Digo-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão” Lucas 19:39,40. “ E de noite disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala e não te cales” Atos 18:9. Nossa grande e poderosa arma contra o inimigo é nosso testemunho verbal. Na expressão do Dr. Cuyler os atos dos apóstolos não é uma história de Igrejas e sim de cristãos individuais; a pesca de almas não se processava por meio de uma rede varredoura que todos se uniam para puxar, não; cada pescador lançava seu próprio anzol. Quando perguntaram a Loiman o segredo de seu sucesso, ele respondeu: Eu prego no domingo, mas tenho 450 soldados que na segunda feira levam minha mensagem e a anunciam por toda parte. Qualquer Igreja cresce quando os crentes fazem isso. Nossa arma para a guerra é o testemunho verbal positivo. 2- As tochas representam nosso testemunho vivido. O testemunho verbal há de resplandecer como o exemplo luminoso. Aqueles soldados levaram uma tocha de fogo dentro dos cântaros. As trombetas no escuro não seriam o suficiente para a vitória. Os soldados tocaram as trombetas e ao mesmo tempo quebraram os cântaros segurando em suas mãos as tochas acesas para alumiar. É importante nosso testemunho verbal, mas nossas vidas não podem ficar escondidas, precisam resplandecer. Nossa vida diária faz parte de nosso testemunho verbal diário. Nossas vidas falam alto. Alguém disse:”Antigamente os crentes eram perseguidos por causa do evangelho, mas hoje o evangelho é perseguido por causa dos crentes”. Uma grande arma na luta contra o inimigo é nosso testemunho. Precisamos resplandecer como a luz. “Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo” Fil. 2:15. ou “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai, que está no céu” Mateus 5:16.

III- O segredo da vitória consiste na estratégia que se segue na luta

Qualquer exército precisa ter a estratégia bem definida. E nesse texto percebemos que a estratégia usada foi muito importante para que o inimigo fosse derrotado. Para que tenhamos vitória precisamos elaborar a estratégia de guerra. 1- É preciso ter os olhos na direção do comandante. “E disse-lhes: Olhai para mim e fazei como eu fizer… como eu fizer, assim fareis vós” v.17. Para que não falhemos em nossa luta, ou para que não fracassemos precisamos estar com os olhos em Jesus. Na luta espiritual precisamos viver olhando para Jesus. “Portanto, nós também, pois que estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, fitando os olhos em Jesus, autor e consumador de nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus” Hebreus 12:1,2. Como Jesus venceu o inimigo? Precisamos olhar para Ele e fazer o que Ele fez. João disse: “Aquele que diz estar nEle, também deve andar como Ele andou” I João 2:6. Estamos sendo convidados a olhar para Jesus e seguir as suas instruções. E isso é estratégia para a guerra. 2- Cada soldado deve ocupar o espaço designado pelo comandante. “Quando eu tocar a trombeta, eu e todos os que comigo estiverem, tocai também vós as trombetas ao redor de todo arraial e dizei: Pelo Senhor e por Gideão! E conservou-se cada um no seu lugar ao redor do arraial; então todo o exército se pôs a correr e, gritando, fugiu. Pois, ao tocarem os 300 as trombetas, o Senhor tornou a espada de um contra o outro, e isso em todo arraial e fugiram” v. 18,21,22. Cada soldado tem um lugar a ocupar e não pode negligenciar sua missão. E em se tratando da Igreja, volto ao que disse Cuyler: “O perigo que existe em nossas Igrejas é de que se perca de vista a responsabilidade individual, e que o crente negligencie seu próprio dever enquanto espera que os demais façam alguma coisa”. Se queremos fazer alguma coisa precisamos ocupar nosso espaço no mundo. Essa é uma das estratégias para a vitória do povo de Deus. 3- Precisamos estar dispostos ao sacrifício pessoal em favor dos interesses da causa que abraçamos. “Então, dividiu os 300 soldados em três companhias, pôs nas mãos de cada um deles trombetas, e cântaros vazios contendo tochas acesas. ….então tocaram as trombetas e despedaçaram os cântaros que tinham nas mãos” v.16 e 19b. Os cântaros eram usados para levar água. Estavam longe dos inimigos e precisariam água para beber. Mas sacrificaram-se em favor da causa. No lugar de levar água, colocaram nos cântaros tochas acesas. Se queremos vencer na luta contra o pecado e contra satanás precisamos colocar nossas vidas nas mãos do Senhor. Precisamos estar dispostos a sacrifícios pessoais em favor do reino de Deus. Se você não tem essa disposição também não tem condições de pertencer ao exército de Deus.

Conclusão

O segredo da vitória está no caráter dos que lutam; nas armas que se usa; e na estratégia de guerra. Precisamos, portanto, ser humildes, corajosos e atentos ao nosso trabalho no reino. Nossas armas são o nosso testemunho verbal e luminoso, de vida. E a estratégia é olhar para Jesus, ocupar o nosso lugar como crentes e estar dispostos s sacrifício pessoal em favor da causa.Amém!
 

Pr. Cirino Refosco
cirinorefosco@pibja.org

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